Um dos golpes mais aplicados por bandidos em todo o país durante a quarentena tem sido a clonagem de contas do WhatsApp. Segundo levantamento feito pela empresa de segurança digital PSafe, 473 mil brasileiros foram alvos desse crime no mês de setembro, sendo 43 mil em Minas – o terceiro Estado mais afetado pelo golpe.

O artifício consiste na invasão da conta do WhatsApp da vítima, permitindo que o estelionatário possa ter acesso a conversas de amigos. Se passando pela vítima, ele constrói uma situação de desespero e pede dinheiro a várias pessoas.

Entre os milhares de brasileiros que já foram vítimas do golpe está o humorista Marcelo Adnet. Ele teve de fazer uma publicação em sua conta do Twitter para avisar os amigos. Na semana anterior, a atriz Gabriela Duarte passou pela mesma situação.

A servidora pública Fabiana Martins, de 40 anos, foi uma das muitas vítimas em Belo Horizonte. Ela recebeu uma mensagem do número da madrasta, que havia sido clonado, e fez o depósito na conta indicada.

“Como ela está cuidando do meu irmão deficiente e eu sempre mando dinheiro pra ela, não desconfiei. O dinheiro foi para uma conta corrente que foi bloqueada, mas até hoje eu não consegui reaver o dinheiro. Estou aguardando os trâmites administrativos entre os bancos”, relatou.

 

Aumento de casos de estelionato

De acordo com a Polícia Civil, no banco de dados não há uma especificação sobre golpes de clonagem do número de WhatsApp. Mas, a instituição informou que os casos de estelionato pela internet em 2020 já superam os registrados ao longo de todo 2019.

Somente entre janeiro e setembro deste ano, já foram contabilizados 13.090 registros de crimes cibernéticos relacionados à modalidade de estelionato. Em 2019, foram 8.509 casos.

 

Entenda como funciona

Segundo a polícia, muitos golpistas têm acesso a anúncios e a números de telefones de anunciantes, por meio de sites de compra e venda. Esses estelionatários se passam por funcionários dos sites e solicitam à vítima que divulgou um produto um código para ativá-lo. Trata-se do código de verificação do WhatsApp. A vítima perde então o acesso ao seu aplicativo após digitar o código, pois os criminosos ativam a conta do WhatsApp de determinada pessoa em outro aparelho celular, bloqueando o acesso anterior.

Mas existe uma outra forma de realizar o golpe. Há casos em que funcionários das operadoras trabalham com organizações criminosas, desabilitando o chip das vítimas e habilitando o número em outro aparelho, que é usado pelo bandido.

“É responsabilidade da operadora, que deixou que o sistema desabilitasse o chip e habilitasse no aparelho do fraudador. A empresa tem registro sobre toda a ação e é dever dela revelar os dados”, afirmou o advogado Alexandre Atheniense, especialista em Direito Digital. Segundo ele, as vítimas podem acionar judicialmente as operadoras.

 

Como se proteger

Para não cair neste golpe, o mais importante é ativar a autenticação em duas etapas em seu dispositivo (onde um segundo código de segurança é necessário além da senha). Habilite a “confirmação em duas etapas” no WhatsApp, clique em “Configurações/Ajustes”, depois clique em “Conta” e, para finalizar, aperte “confirmação em duas etapas”.

Nunca compartilhe seu código de confirmação do WhatsApp com terceiros. Caso já tenha sido vítima desse golpe, envie e-mail para support@whatsapp.com, solicitando a desativação temporária de sua conta do WhatsApp.

Outra recomendação é instalar um aplicativo ou programa de segurança que alerte sobre clonagem do WhatsApp ou outras ameaças virtuais.

Caso você receba alguma mensagem de amigo ou familiar pedindo transferência bancária de qualquer valor, ligue para a pessoa e converse pelo telefone sobre a transação. Se ninguém atender a ligação, é sinal de que houve uma clonagem do número de WhatsApp.

Fonte: Hoje em Dia