Uma criança de 5 anos, residente em Oliveira, foi diagnosticada com síndrome inflamatória pediátrica associada à Covid-19. A informação foi confirmada em nota emitida pela Prefeitura da cidade nesta quinta-feira (27). A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) divulgou nesta quarta-feira (26) que o caso foi notificado pela Superintendência Regional de Saúde em Divinópolis, porém, não deu detalhes do paciente.

De acordo com a Prefeitura, a criança foi internada no dia 18 de julho no Hospital Infantil João Paulo II, em Belo Horizonte. No dia 29 do mesmo mês, o menino teve alta.

Ainda segundo o Executivo, a Secretaria Municipal de Saúde acompanha e assiste a criança nas consultas mensais ao hospital. A nota diz ainda que nesta quinta foi feito contato com a mãe da criança e ela disse que o filho passa bem.

 

Monitoramento

A SES-MG divulgou que desde julho, em uma ação conjunta com o Ministério da Saúde, determinou a notificação obrigatória por parte dos municípios de casos suspeitos da síndrome. Desde então a situação é acompanhada no estado, aguardando análise de exames para descartar ou confirmar a doença.

De acordo com a pasta, foi o monitoramento da Covid-19 que levou à identificação da síndrome em crianças que testaram positivo ou tiveram contato com algum caso de Sars-Cov-2.

“O objetivo desta vigilância é reunir dados que permitam aprimorar o conhecimento sobre fatores de risco, fisiopatologia, quadro clínico e tratamento da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica”, explicou a pediatra Flávia Cruzeiro, integrante do Centro de Informação Estratégica de Vigilância em Saúde (Cievs-MG).

O Cievs-MG, em conjunto com a área técnica da SES-MG, responsável pelo acompanhamento dos quadros, emitiu nota técnica contendo orientações aos serviços de Saúde sobre a necessidade de notificação imediata de SIM-P, em prazo máximo de 24 horas.

 

Agravante

A SES-MG explica que as crianças diagnosticadas com SIM-P podem evoluir de forma grave com insuficiência respiratória, doença renal aguda, insuficiência cardíaca aguda e também apresentar sintomas semelhantes à doença de Kawasaki, como febre, manchas vermelhas na pele, conjuntivite, edema de pés e mãos. Os sintomas respiratórios não são encontrados em todos os casos, segundo o Estado.

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) chamam atenção para a importância da detecção precoce da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica e o correto atendimento do paciente.

 

Notificação

A notificação deve ser realizada, preferencialmente, pelo serviço de Saúde responsável pela hospitalização do caso, por formulário individual. Se o documento não puder ser preenchido pela internet, o mesmo deve ser impresso, preenchido e enviado à vigilância epidemiológica da região ou da Secretaria Municipal de Saúde de referência.

Informações sobre exames, investigação clínico laboratorial, acompanhamento e encerramento do caso também devem ser repassados ao serviço de vigilância local junto à notificação.

A SES-MG recomenda às autoridades locais a busca periódica de indivíduos hospitalizados que preencham a definição clínica para a doença. Há ainda o oferecimento, por parte do Estado, de suporte às unidades regionais de saúde para identificação de critérios clínicos, epidemiológicos e fluxos de notificação.

"Exames complementares para identificar a atividade inflamatória são importantes para o diagnóstico da síndrome. Assim como a hemocultura, para descartar casos de sepse bacteriana”, explicou Flávia Cruzeiro.

 

Sem protocolo

Embora ainda não tenha um protocolo validado pelo Ministério da Saúde, conforme a SES-MG, o tratamento da SIM-P prevê a aplicação de medicamentos com imunoglobulina endovenosa (Igev), corticoides, imunomoduladores e anticoagulantes.

O estado já contabiliza 16 casos notificados, sendo oito confirmados. Destes, seis receberam alta e dois permanecem internados. Não há óbitos por SIM-P em Minas Gerais

 

Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde informou que os dados mais recentes da SIM-P são do dia 8 de agosto, quando havia 117 bebês, crianças e adolescentes, entre 7 meses e 16 anos, diagnosticados com a síndrome. Nove mortes foram registradas até a data, afirmou a pasta.

Fonte: G1