Os funcionários dos Correios em Divinópolis realizaram um protesto nesta quinta-feira (27). O movimento é em apoio à greve nacional que foi deflagrada pela categoria, no último dia 17. A reportagem solicitou mais informações aos Correios sobre o ato em Divinópolis, mas a empresa respondeu não ter dados específicos das regionais.

Os funcionários percorreram parte do Bairro Bom Pastor e o Centro da cidade com cartazes em apoio ao movimento nacional e expressaram palavras de ordem.

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (FENTECT) disse que a greve é em defesa dos empregos, salários, direitos, e contra a privatização. Veja na íntegra o posicionamento dos Correios no fim da matéria.

A adesão dos trabalhadores no Estado foi deliberada em assembleia realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores de Correios de Minas Gerais (Sintect/MG) no dia 17.

 

Reivindicações

O Sintect/MG informou ao G1 que a greve é por tempo indeterminado. O movimento é contra a retirada de direitos históricos dos celetistas que, segundo o sindicato, irá rebaixar em até 60% o poder de compra dos trabalhadores.

Em nota publicada no site do Sintect/MG, o sindicato diz que “os trabalhadores dos Correios têm o menor salário entre as empresas públicas”.

Além disso, os trabalhadores reivindicam a preservação do último dissídio da categoria, julgado em outubro de 2019 pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), com vigência de dois anos, reeditando as cláusulas do Acordo Coletivo 2018/2019.

Posicionamento dos Correios

"Os Correios não pretendem suprimir direitos dos empregados. A empresa propõe ajustes dos benefícios concedidos ao que está previsto na CLT e em outras legislações, resguardando os vencimentos dos empregados conforme contracheques em anexo que comprovam tais afirmações.

Sobre as deliberações das representações sindicais, os Correios ressaltam que possuem um Plano de Continuidade de Negócios, para seguir atendendo à população em qualquer situação adversa. No momento em que pessoas e empresas mais contam com seus serviços, a estatal tem conseguido responder à demanda, conciliando a segurança dos seus empregados com a manutenção das suas atividades comerciais, movimentando a economia nacional.

Desde o início das negociações com as entidades sindicais, os Correios tiveram um objetivo primordial: cuidar da sustentabilidade financeira da empresa, a fim de retomar seu poder de investimento e sua estabilidade, para se proteger da crise financeira ocasionada pela pandemia.

A diminuição de despesas prevista com as medidas de contenção em pauta é da ordem de R$ 600 milhões anuais. As reivindicações da Fentect, por sua vez, custariam aos cofres dos Correios quase R$ 1 bilhão no mesmo período - dez vezes o lucro obtido em 2019. Trata-se de uma proposta impossível de ser atendida.

Respaldados por orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST), bem como por diretrizes do Ministério da Economia, os Correios se veem obrigados a zelar pelo reequilíbrio do caixa financeiro da empresa. Em parte, isso significa repensar a concessão de benefícios que extrapolem a prática de mercado e a legislação vigente. Assim, a estatal persegue dois grandes objetivos: a sustentabilidade da empresa e a manutenção dos empregos de todos.”

 

Na tarde desta quinta-feira, a empresa também enviou a seguinte nota:

"De acordo com sistema de monitoramento dos Correios, a adesão ao movimento paredista é baixa. A empresa aguarda o retorno de parte dos trabalhadores que aderiram à paralisação parcial o quanto antes, cientes de sua responsabilidade para com a população, já que agora toda a questão terá seu desfecho na justiça.

Tendo em vista não haver acordo com as entidades representativas, mesmo os Correios tendo se colocado à disposição para negociar o Acordo Coletivo de Trabalho 2020/2021, a empresa ajuizou, na terça-feira (25), o Dissídio Coletivo de Greve no Tribunal Superior do Trabalho.

Os Correios têm preservado empregos, salários e todos os direitos previstos na CLT, bem como outros benefícios dos empregados. A paralisação parcial da maior companhia de logística do Brasil, em meio à pandemia da Covid-19, traz prejuízos financeiros não só à estatal, mas a inúmeros empreendedores brasileiros, além de afetar a imagem da instituição e de seus empregados perante a sociedade.

A empresa permanece servindo à população e trabalhando para minimizar os efeitos da paralisação parcial dos trabalhadores. A rede de atendimento está aberta em todo o país, com a oferta de serviços como o Serasa Limpa Nome, Achados e Perdidos e, ainda, a consulta para o Auxílio Emergencial. Também estão disponíveis à população os produtos, inclusive o SEDEX e o PAC, que continuam sendo postados e entregues. Permanecem temporariamente suspensos os serviços com hora marcada, medida em vigor deste o anúncio da pandemia".

 

Fonte: G1