Pai solteiro de quatro filhos, sendo que duas crianças, de 10 e 12 anos, moram com ele. A rotina do consultor em mineração Raphael Santos, de 32 anos, já era puxada, mas, depois do início da pandemia e estando em home office, ele viu seus gastos diários praticamente dobrarem. Contas de água e energia elétrica subiram, em média, 30%, e um gasto com alimentação fora de casa, que antes da chegada do coronavírus não existia, teve que entrar no orçamento.

“Agora tenho duas crianças dentro de casa e tenho que preocupar com o almoço delas e com os lanches durante todo o dia. O que mais está pesando no bolso é a alimentação. Tenho usado muito delivery, porque fica difícil com as crianças em casa”, contou.

E a situação dele é a mesma da enfrentada em muitos lares. Seis de cada dez brasileiros afirmaram que os gastos com alimentos, produtos e serviços para si e suas famílias cresceram desde o início da pandemia da Covid-19. O resultado é de uma pesquisa realizada pela Ipsos com 18 mil pessoas, de 26 países, sendo mil do Brasil. Enquanto 60% dos entrevistados relataram que a pandemia fez crescer os custos em casa, 12% disseram que os gastos diminuíram, e 25% não sentiram diferença alguma nas contas no fim do mês. Os dados são relacionados ao Brasil.

Na percepção dos entrevistados brasileiros, as compras de mercado – alimentação e produtos de limpeza – são as que mais alavancaram a alta nos custos durante a pandemia: 65% disseram ter tido gastos maiores nesses itens. Para 29%, esses custos permaneceram iguais, e, para apenas 6%, eles diminuíram.

Para equilibrar as contas, Raphael Santos tem corrido atrás de promoções e, como está em home office, conta com a economia no transporte. Para 35% dos brasileiros, os gastos com locomoção, de fato, estão menores. “Não tem mais deslocamento, então custo com transporte é praticamente zero. Mas, mesmo assim, a gente tem que fazer muito orçamento e correr atrás das promoções em supermercados. Estou tentando conscientizar as crianças do uso mais ecológico dos recursos para tentar economizar na água e na luz”, completou o consultor em mineração.

A estratégia é a mesma utilizada pelo analista de logística Breno Luiz da Silva Gomes, de 22 anos. Mesmo com os gastos sob controle durante a pandemia, desde que foi trabalhar em casa ele tem adotado métodos para evitar um boom nas contas de energia por conta do computador e da TV ligados por mais tempo.

“Aproveito a luz do dia para não precisar acender lâmpada de dia em casa e também aproveito ao máximo a bateria do notebook, utilizando economia de energia e carregando só quando necessário”, revelou.

Os custos fixos, como serviços de água, energia e gás, também estão entre os que mais cresceram, na opinião dos participantes do Brasil. Para 46% dos questionados, houve aumento nessas contas; 45% disseram estar iguais; e 9% tiveram diminuição nos gastos.

 

Economizar não é impossível

Quem tem paciência para as incontáveis horas de serviço de telemarketing, agora digitalizado em muitas empresas, para tentar um desconto? Pouca gente tem, mas a medida pode garantir economia de até R$ 720 por ano. As contas são do consultor financeiro Sílvio Azevedo.

“Todo mundo sabe que é chato, mas neste período em que temos mais tempo é uma boa hora para renegociar tarifas em bancos, de cartão de crédito, a conta do celular. Aproveite para fazer uma pesquisa de preços de serviços como TV a cabo ou internet, agora que você, em casa, tem mais tempo para isso”, orienta Azevedo, que também é membro do Million Dollar Round Table (MDRT).

De acordo com o consultor, muitas vezes, hábitos que nem percebemos que temos podem estar encarecendo, e muito, as contas de água e luz. Uma pesquisa feita por ele, com 80 colegas, constatou que esses serviços, para quem está em home office, ficaram até 30% mais caros. “São muitos ‘abre e fecha’ porta de geladeira, uso excessivo do micro-ondas, da máquina de lavar, que de uma, duas vezes na semana passou a rodar todo dia, sem contar a televisão. Um casal que tinha a média de duas horas por dia de TV ligada, agora convive com dez a 12 horas do equipamento funcionando. Sem contar a luz acessa e os vários banhos”, elencou.

Para tentar minimizar esse desperdício, o consultor financeiro dá dicas simples e eficazes. “Tente juntar mais roupa na máquina. Separe a que é usada dentro de casa da que vai à rua, para evitar as muitas lavagens que o coronavírus acaba nos impondo. Trabalhar perto da janela diminui o uso da lâmpada no escritório, e focar o que quer antes de abrir a geladeira dá diferença quando a porta não é mais aberta tantas vezes”, finalizou.

Fonte: O Tempo