O prefeito de Divinópolis, Galileu Machado (MDB), realizou uma coletiva on-line, nesta terça-feira (24), para fazer um apelo ao Governo de Minas quanto a liberação do uso de enfermarias, já em estado avançado de acabamento do Hospital Regional Divino Espírito Santo, que ainda se encontra em obras.

A intenção é usar os espaços para instalação de leitos e assim suprir a demanda da região durante a pandemia de coronavírus. No entanto, para equipar os espaços, o Estado precisa liberar uma verba de R$ 20 milhões, valor de uma emenda parlamentar, que se encontra parado nos cofres públicos.

A reportagem solicitou um posicionamento da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) e aguarda o retorno. Entre os questionamentos, a reportagem perguntou se há possibilidade de liberar a unidade para funcionamento, mesmo ainda estando em obras. Questionou também, se a unidade está em condições de receber imediatamente os pacientes e se não, quanto tempo será necessário para adequar os espaços. Por fim, se existe previsão de equipamentos e respiradores para compra imediata no caso da unidade ser liberada para uso.

 

A pasta respondeu à reportagem através de nota. Veja a íntegra.

"Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informa que estuda todas as possibilidades viáveis para a abertura de leitos nos municípios mineiros, sempre em parceria com o Ministério da Saúde. A SES destaca que as situações relacionadas ao Covid-19 são dinâmicas e diversos fatores são levados em consideração. No momento oportuno, as definições serão comunicadas à sociedade".

 

Coletiva

A coletiva foi transmitida pelas redes sociais da Prefeitura de Divinópolis e contou com a presença do presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Ampliada Oeste (Cis-Urg), Edson Vilela (PSB), que é prefeito de Carmo do Cajuru e do presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Itapecerica (Cisv), José Rodrigues Barroso (PRTB), que é prefeito do município de Cláudio. Juntos, eles representaram todos os prefeitos da região e pediram que os leitos sejam liberados para assistência no Centro-Oeste no período de pandemia da Covid-19.

“Vamos enviar essa solicitação assinada por todos os prefeitos e queremos que o governador receba em mãos e que ele entenda a nossa situação como prefeitos. É uma fase muito difícil financeiramente, por isso, pedimos que o governador atenda nosso pedido”, afirmou Galileu Machado.

Durante a coletiva, o prefeito de Cláudio ressaltou que a região é composta de 54 municípios e todos eles têm Divinópolis como município referência em Saúde.

“Tenho conhecimento de que todos os municípios já fizeram decretos de emergência, mas o que nós precisamos é desse apoio, pois se agravar a situação não teremos leitos para atender a nossa região. Divinópolis recebe todas essas cidades e não há condições de atender todos. A sensibilidade do governo é muito importante, pois pelo que temos visto a crise ainda não chegou. Fica nosso apelo para conseguirmos atender as pessoas que tanto vão precisar”, reforçou José Rodrigues.

Edson Vilela reforçou as palavras do prefeito de Cláudio e afirmou que com a abertura dos leitos será possível suprir, mesmo que parcialmente, o déficit em enfermarias para a população, caso haja alto número de infectados nos municípios.

 

“Temos um hospital semiacabado e o recurso disponível de R$ 20 milhões, que serão destinados à aquisição de equipamentos. Temos certeza de que pelo menos a liberação de uma ala vai permitir que a gente atenda uma boa parte da população. É claro, não gostaríamos jamais de pensar em ocupar esses leitos. Mas temos que fazer esse dever de casa e precisamos nos preparar para isso e de forma conjunta. Fazemos esse apelo ao governador para que nos ajude", enfatizou.

O presidente do Cis-Urg ainda comentou sobre os profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que estão aptos a atender qualquer demanda emergente em saúde publica, provocada pela Covid-19.

“Temos uma equipe montada. Capital humano para trabalhar e nos ajudar na rede hospitalar. Ou seja, o próprio Samu vai dispor de profissionais, o que precisamos hoje é equipar esse hospital para que o nosso capital humano possa utilizar esse espaço e resolver os problemas advindos do coronavírus”, detalhou.

Gestão

Questionado sobre qual órgão faria a gestão do hospital, no caso da abertura das enfermarias, Edson Vilela foi enfático ao dizer que, o que está em jogo agora, é a abertura urgente dos leitos e não a gestão hospitalar, já que a unidade não está concluída.

“O nossos consórcio pleiteou junto ao Estado o trabalho de gestão do Hospital, mas não estamos discutindo isso hoje. O nosso foco é tentar conseguir oferecer leitos para nossa região. O momento hoje não é para discutir gestão e sim buscar o recurso de R$ 20 milhões que está parado no Estado", reiterou.

 

Outra alternativa

Questionados sobre outras possibilidades, os prefeitos avaliaram a possibilidade de "Hospital de Campanha" - unidades de atendimento temporário onde os pacientes permanecem até que possam ser transportados a um local permanente.

“Caso não conseguirmos sensibilizar o governo, a ideia é trabalhar junto com a iniciativa privada. Temos empresários fortes em nossa região e se nós fizermos uma campanha junto com esses empresários tenho certeza que conseguimos alavancar recurso financeiro. No entanto, quando se fala em Hospital de Campanha, quer dizer que haverá gastos. Portanto, esses recursos deveriam ser usados para comprar realmente o que precisamos para colocar o Hospital Regional para funcionar. Mas claro, na segunda linha, pensamos em mobilizar a iniciativa privada para nos ajudar neste momento”, finalizou Edson.

 

Hospital Regional

O Hospital Regional Divino Espirítico Santo está sendo construído no Bairro Realengo e já se encontra com 80% das obras concluídas. No entanto, no local não há água, luz e nem esgotamento sanitário preparado, além de não haver leitos totalmente prontos.

Há algumas enfermarias que podem ser equipadas, mas as obras ainda vão demorar para serem concluídas, como avalia a Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com estimativas dos municípios que acompanham a situação de perto, serão necessários ainda, cerca de R$ 100 milhões para que a unidade seja finalizada e esteja apta a atender.

Quando finalizada, a unidade terá capacidade técnica para 400 leitos e assim irá conseguir suprir a demanda da região.