Após 25 anos, Plano Real deu fim à hiperinflação no país 

10 SET 2019
10 de Setembro de 2019

Terror da maquininha mudando os preços de minuto em minuto ainda é lembrado pela população

Por Luiz Henrique Machado

Os brasileiros com mais de 40 anos têm fácil memória das estratégias das famílias para tentar superar os efeitos da hiperinflação sobre a renda entre os anos 1980 e 1990.

Basta dar uma volta pelo supermercado e perguntar para as pessoas que estão fazendo compro se eles lembram sobre a inflação descontrolada.

Segundo Jorge Campos, a maquininha de preços não parava um minuto, chegando a trocar os preços simultaneamente dentro do supermercado e até na mão e nos carrinhos das pessoas.

“Lembro quando eu estava passando no caixa do supermercado e ali mesmo, naquele exato momento na época a menina corrigiu o valor do produto”, contou.

Para quebrar a hiperinflação foi vista uma única medida, mudar a moeda novamente e criar o PLANO REAL. Tendo em vista que o Brasil teve outras oito moedas: réis, cruzeiro, cruzeiro novo, cruzeiro (novamente), cruzado, cruzado novo, cruzeiro (pela terceira vez) e cruzeiro real.

Antes do real o país passou por seis planos econômicos de estabilização, entre 1986 e 1994, que fracassaram: Cruzado 1 (fevereiro de 1986) e 2 (novembro de 1986), Bresser (1987), Verão (1988), Collor 1 (1990) e 2 (1991).

Na época, a inflação diminuía momentaneamente, mas voltava com ainda mais força. Em 1993, a situação ficou insustentável: a inflação chegou a 2.477% no ano. Em junho de 1994, mês anterior à implementação do Plano Real, a inflação superou os 47%.

O Plano Real foi desenvolvido em três fases durante a presidência de Itamar Franco, pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso. Entre os autores da estratégia estavam economistas reconhecidos, como Pérsio Arida, Edmar Bacha, André Lara, Gustavo Franco e Pedro Malan.

A segunda etapa, iniciada com Medida Provisória nº 434, assinada em 27 de fevereiro de 1994, estabeleceu a utilização de uma moeda escritural, a citada URV, que era uma “quase moeda”: tudo continuava a ser pago em cruzeiros reais, que era a moeda vigente, mas os preços passaram a ter referência numa unidade de valor estável. A cada dia, o Banco Central fixava uma taxa de conversão da URV em cruzeiros reais, baseada na média de três índices diários de inflação.

Na época da mudança o frango e o pãozinho francês se tornaram símbolos do Plano Real. Em 1994, era possível comprar um quilo de frango ou dez pães franceses com uma nota de R$ 1, o salário mínimo era de R$ 64,79. Atualmente é de R$ 998 – 15 vezes maior.

Em 1995, primeiro ano completo com o Plano Real já implementado, a inflação foi de 22%. Já em 1998, os preços avançaram 1,65%, a menor inflação anual registrada.

O Plano Real conseguiu domar a inflação, mas os preços continuaram subindo ao longo dos últimos 25 anos. A inflação acumulada medida pelo IPCA, entre julho de 1994 e abril de 2019, foi de 507%. Isso significa que o que se comprava com R$ 1 na época em que o Plano Real foi lançado custaria hoje R$ 6,07, se o valor fosse atualizado pela inflação.


15 curiosidades sobre o Plano Real:


1. No lançamento do Plano Real havia sete variações de moedas (R$ 0,01; R$ 0,05; R$ 0,10; R$ 0,25; R$ 0,50 e R$ 1) e cinco de cédulas (R$ 1; R$ 5; R$ 10; R$ 50 e R$ 100).

 

2. A nota de R$ 2 apareceu em 2001 e a de R$ 20 em 2002.

 

3. A moeda de R$ 0,01 deixou de ser emitida em 2004 pelo seu alto custo de emissão e sua baixa circulação.

 

4. Já a cédula de R$ 1 deixou de ser fabricada em 2005 e passou a ser substituída pelas moedas de mesmo valor.

 

5. Atualmente, cédulas de R$ 1 são negociadas por colecionadores como relíquias, por valores que podem chegar a R$ 160.

 

6. Para evitar falsificações, a marca d’água da primeira versão da nota de R$ 1 precisou ser trocada: a cédula era lavada com água sanitária e transformada em uma de R$ 100.

 

7. Quando o Plano Real foi criado, o valor de R$ 1 era exatamente igual ao de US$ 1. O governo controlava artificialmente a cotação da moeda americana para estabilizar a economia do país. Em função disso, houve um boom de abertura de lojas de R$ 1,99 em todo o Brasil.

 

8. Em outubro de 1994, o dólar chegou a ser cotado em torno de R$ 0,82.

 

9. Em comemoração aos 500 anos de descobrimento do Brasil, em 22 de abril de 2000 foi lançada uma edição limitada de cédulas especiais de R$ 10 em material plástico.

 

10. Em 2010 foram lançadas novas cédulas do real: cada valor com um tamanho diferente, do menor para o maior. O objetivo foi de facilitar a utilização pelos deficientes visuais.

 

11. A faixa holográfica e os desenhos personalizados a cada valor das cédulas são medidas de segurança para evitar falsificações das notas de real.

 

12. As imagens das cédulas de real fazem homenagem à fauna brasileira e também são elementos que ajudam no combate às falsificações. A nota de R$ 2 é representada pela tartaruga-de-pente, a de R$ 5 pela garça, a de R$ 10 pela arara-vermelha, a de R$ 20 pelo mico-leão-dourado, a de R$ 50 pela onça pintada e a de R$ 100 pela garoupa.

 

13. Durante a implantação, o Plano Real enfrentou três grandes crises mundiais: a Crise do México (1995), a Crise Asiática (1997-1998) e a Crise da Rússia (1998). Nos três casos, o Brasil foi afetado diretamente, porque investidores estrangeiros tiravam grandes somas de dinheiro do país ao menor sinal de crise.

 

14. Para manter a estabilidade da economia, foram necessárias algumas medidas, como a criação da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira.

 

15. A história da criação e implementação do Plano Real virou filme, baseado no livro do jornalista Guilherme Fiúza (3000 Dias no Bunker). O plano por trás da história narra a trajetória da equipe econômica liderada por Fernando Henrique Cardoso para vencer a hiperinflação criando uma nova moeda.

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